Menu
 
 
Login
Utilizador

Palavra passe



novo user | recuperar
 
 
Quem está on-line...
14 convidado(s)
 
 
Pesquisar
 
   

História das Tunas

Para todos aqueles (independentemente de pertencerem à mui nobre ESTATuna ou não) que queiram saber um pouco mais sobre a história (origem) das tunas.

A História das Tunas é algo que, ao contrário do que muitos poderão pensar, remonta à Idade Média, senão mesmo antes. Muito pouco se sabe ao certo sobre a evolução e a origem das Tunas, apenas algumas lendas e alguns escassos trabalhos de recolha histórica nos permitem definir, aproximadamente o percurso das Tunas e dos tunos desde a sua origem.

No ano de 1212, em Espanha, surge, por ordem de El-Rei D. Alfonso VIII, o primeiro Studium Generale em Palencia, que seria o antecessor das actuais Universidades. Pouco tempo depois, D. Diniz manda construir os Estudos Gerais de Lisboa (1285) que, devido a diversos problemas entre a população e os estudantes foram transferidos pouco depois para Coimbra - surgindo a primeira Universidade portuguesa (com esta designação).

Será em Espanha que vão surgir os Sopistas, predecessores dos actuais Tunos.

Os Sopistas eram estudantes pobres que, com as suas músicas, simpatia e brincadeiras percorriam casas nobres, conventos, ruas e praças em troca, muitas vezes, de um prato de sopa (daí o seu nome - sopistas) ou de uma moeda que os ajudasse a custear os estudos. Quando caía a noite e tocavam os sinos de recolha cantavam serenatas às donzelas que queriam conquistar, sendo, muitas vezes, perseguidos pelas policias universitárias (visto que o recolher era obrigatório para os estudantes). Daí que os sopistas começaram a utilizar longas capas negras para, na noite escura, se poderem esconder dos polícias.

Os Sopistas, eram conhecidos por transportarem sempre consigo um garfo e uma colher de madeira, o que lhes permitia comer em qualquer lado. Assim, quando se formaram as primeiras Tunas, ainda com muitas tradições sopistas, os símbolos adoptados (essencialmente em Espanha) foram, justamente a colher e o garfo de madeira. Em Portugal as tradições académicas adaptaram o símbolo da colher de pau como uma das mais conhecidas sanções da Praxe: a sanção de unhas.

Durante a idade média, aliás, o comportamento boémio dos estudantes universitários, que viviam como trovadores e saltimbancos era um fenómeno comum por toda a Europa. A este tipo de estudantes dava-se o nome de Goliardos.

Várias referências aparecem nos documentos das mais antigas Universidades da Península Ibérica que nos permitem compreender que o fenómeno que culminou nas actuais Tunas já se começava a delinear. Por exemplo: em 1300 aparece na Liber constitutionem da Universidade de Lérida, em Espanha, um artigo que proíbia as rondas nocturnas dos estudantes.

Foi no século XVI que se formaram as Tunas como as conhecemos hoje. Os sopistas passaram a ter direito, segunda a Instrucción para bachilleres de pupilos instaurada em 1.538, a residências estudantis (para aqueles que não podiam custear o seu alojamento). Nas residências não se podiam misturar cursos diferentes e eram dirigidas pelos estudantes mais antigos. Assim as residências juntaram a comunidade sopista, logo nunca foram grande exemplo de estudo.

Assim os caloiros que queriam fazer parte da comunidade sopista tinham de oferecer escuderia, ou seja, os seus serviços aos sopistas mais velhos em troca de aprenderem a sua arte. Assim, até terminarem o período em que eram pupilos serviam lealmente os mais velhos à espera de um dia se tornarem como eles. Isto permitia aos sopistas levarem uma vida parecida com a dos estudantes ricos. Estes costumes, ainda hoje presentes nas Tunas, foram uma das origens mais remotas da Praxe (sendo que outra das grandes influências foram as polícias universitárias aquando da sua extinção).

Conta a Lenda que o nome Tuna surgiu, porque muitas das tradições sopistas terão sido inspiradas na atitude de um califa, boémio e mulherengo, de Tunes - Tunísia, que levava uma vida trovadoresca. Passava dias e noites a cantar pelas ruas e em grandes tainadas com os amigos e, pela noite, encantava as donzelas de Tunis com serenatas ao som do seu alaúde. Assim, quando o nome sopista deixou de representar a realidade (os estudantes passaram a tocar para se divertirem e não para sobreviverem), tornando-se depreciativo, os grupos de estudantes de tradição sopista começaram a intitular-se Tunas.

Esta origem remota no mundo Árabe desta tradição secular, a das Tunas, explica porquê que o bandolim desempenha um papel fundamental na sonoridade das Tunas, porque foi inspirado no Alaúde deste Califa. Os instrumentos eram, e ainda são , maioritariamente cordofones pois isto permitia às Tunas andarem pelas ruas carregando-os.

As Tunas em Portugal surgiram apenas em meados do séc. XIX. Conta-se que um grupo de estudantes de Coimbra se deslocou, um dia, a Espanha e, observando o sucesso que as Tunas por lá faziam importaram a ideia para o nosso país. No entanto, é muito díficil definir qual a Tuna mais antiga do país. Sabe-se que a Tuna Académica da Universidade de Coimbra se fundou no ano de 1888, a Tuna Universitária do Porto também se crê que tenha tido a sua origem por volta de 1890 - ainda sob outra designação e mesmo antes da criação (oficial) da Universidade do Porto, a Estudantina de Coimbra também se pensa ter uma existência secular, a Tuna Académica do Liceu Nacional de Évora - por muitos considerada a primeira Tuna portuguesa, a Tuna de Ciências da Universidade do Porto também remonta ao início do séc. XX, entre outras.

Em meados da década de 80, inicio da década de 90 do século passado e em resultado do ressurgimento da Estudantina Universitária de Coimbra e da Tuna Universitária do Porto, inicia-se um amplo movimento de fundação de inúmeras tunas universitárias e académicas por todo o país, tendo a Academia do Porto papel fundamental pelo número de tunas que viu surgir, resultado da restauração da Praxe e das Tradições na Academia Invicta.

Assim, hoje em dia as Tunas são um fenómeno cultural, secular que se encontra generalizado em Portugal, Espanha e América Latina, existindo apenas algumas tunas fora destas regiões.

Texto: segundo Nuno Camacho in www.portugaltunas.com
Publicado a 29-11-2005 por Marcalho

voltar

 

 
 
Notícias | Ficha Técnica | Contactos | Webmaster
© Copyright 2005 Estatuna | Produced by helder pestana